entre atletas, tinham-me por competente intelectual;
entre intelectuais, consideravam-me um bom escritor;
entre escritores,
respeitavam-me por razão de que me era fácil
manter-me bêbado por períodos inconcebíveis.
"um corpo forte. deveria parar de beber.
você daria um bom atleta".
parece que grita o destino
que não me há lugar entre as gentes,
que a mesa concedem-ma por alguma benevolência
inconveniente,
e
que as palavras que me são dirigidas
despencam da boca alheia sempre à maneira de grandes e negras pedras.
sou inadequado.
por outro lado,
nunca quis trepar com minha mãe;
jamais tive vontades de que me urinassem à cara;
assaltam-me com nenhuma frequencia desejos profundos
de sair atirando em mulheres nas filas de banco
- ou qualquer coisa do gênero -
e isto, suponho, faz-me inadequado
mesmo entre inadequados.
nunca me vi tão sozinho.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
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